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LOBATO |
Área:
literatura brasileira |
Tema(s):
contos, cultura brasileira |
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LOBATO, Monteiro; LAJOLO, Marisa (Org.).
Contos escolhidos. 3. ed. São Paulo:
Paz e Terra; Brasiliense, 1996. ISBN 85-11-18147-4 |
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p. 13 |
A
colcha de retalhos (1915) -
narrador em 1ª pessoa - prosa poética nos 10 primeiros parágrafos -
desventura da família na roça |
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p. 23 |
O
mata-pau (1915) -
a vida imita a natureza |
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p. 24 |
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depois da descrição do mata-pau, feita pelo capataz: -
“Imaginação envenenada pela literatura, pensei logo nas serpentes de
Laoconte, na víbora aquecida no seio do homem da fábula, nas filhas do rei
Lear, em todas as figuras clássicas da ingratidão. Pensei e calei, tanto o
meu compa- |
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p. 25 |
nheiro
era criatura simples, pura dos vícios mentais que os livros inoculam.
Encavalgamos de novo e partimos.” -
“O camarada contou a história que para aqui traslado com a possível
fidelidade. O melhor dela evaporou-se, a frescura, o correntio, a ingenuidade
de um caso narrado por quem nunca aprendeu a colocação dos pronomes e por
isso mesmo narra melhor que quantos por aí sorvem literaturas inteiras, e
gramáticas, na ânsia de adquirir o estilo. Grandes folhetinistas andam por
este mundo de Deus perdidos na gente do campo [categoria do narrador em
Benjamin], ingramaticalíssima, porém pitoresca no dizer como ninguém.” |
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p. 33 |
O
comprador de fazendas (1917) |
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p. 37 |
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“Quem a ess’hora penetrasse no oratório da fazenda notaria nas vermelhas
rosas de papel de seda que enfeitavam o Santo Antonio a ausência de várias
pétalas, e aos pés da imagem uma velinha acesa. Na roça, o ruge e o casamento
saem do mesmo oratório.” |
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p. 40 |
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intertexto: -
“˗˗ O amor!... A Via-Láctea da vida!... O aroma das rosas, a gaze da aurora!
Amar, ouvir as estrelas... Amai, pois só quem ama entende o que elas dizem.”
/ - Bilac: “Ora direis ouvir estrelas...” |
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p. 47 |
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O Resto da Onça |
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p. 49 |
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“˗˗ Contos andam aí aos pontapés, a questão é saber apanhá-los. Não há
sujeito que não tenha na memória uma dúzia de arcabouços magníficos, aos
quais, para virarem obra d’arte, só falta o vestuário da forma, bem cortado,
bem cosido, com pronomes bem colocadinhos. Querem vocês a prova? Vou arrancar
um conto ao primeiro conhecido que entrar.” -
Resto de Onça era um homem “[...] a quem a onça comeu uma parte e que continua
a viver com o resto do corpo.” |
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p. 53 |
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O Plágio |
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p. 61 |
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“Moralidade há nas fábulas. Na vida, muito pouca - ou nenhuma.” |
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p. 63 |
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O Romance de Chopin -
o homem frouxo, a mulher forte -
metalinguagem: um conto dentro de um conto |
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p. 73 |
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Era no paraíso (1923) -
“Era no paraíso e Deus estava contente.” -
“E Deus, que achara aquilo muito bom, deliberou consolidar sua obra da vida per secula seculorum com o invento da
Fome e do Amor [Platão - O Banquete - mito nascimento do amor], dois apetites
tremendos, engastados no âmago das criaturas à guisa de moto-contínuo da
Perpetuação. E, confiando a imensa barba branca, velha como o Tempo, lançou a
palavra mágica que tudo move e tudo explica: ˗˗
Comei-vos uns aos outros e nos intervalos amais! Em
seguida elaborou, para regência da animalidade, o Código da Sabedoria Ingênita. Não
deu esse nome ao código, visto como, no começo, não existindo homens, não
existiam nomes. ˗˗
Não existindo homens?... Sim,
o homem não estava nos planos do Criador...” |
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p. 74 |
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“Não era escrito esse código. Lei escrita vale por pura invenção humana -
donde a rapidez com que envelhecem os códigos humanos e as humanas leis.
Escrever é fixar e fixar é matar. Perpétuo movimento, a vida é infixa.” |
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p. 79 |
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“˗˗ Nada receies. Essa inteligência terá alguns atributos da minha, como o
carvão os tem do diamante, mas estará para a minha como o carvão está para o
diamante. A fraqueza dela provirá da sua jaça de origem. Inteligência sem
memória, inteligência de chimpanzé, o homem esquecerá sempre. Esquecerá o que ensinei aos seus precurso- |
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p. 80 |
res
peludos e esquecerá de colher a boa lição da experiência nova.” |
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p. 81 |
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“E não solverá o problema do governo; e mais formas de governo invente, mais
sofrerá sob elas - esquecido de que não
criei governo. E criará o Estado, monstro de maxilas leoninas, por meio
do qual a minoria astuta parasitará cruelmente a maioria estúpida. E a fim de
manter nédio e forte este monstro, os sábios escreverão livros, os
matemáticos organizarão estatísticas, os generais armarão exércitos, os
juízes erguerão cadafalsos, os estadistas estabelecerão fronteiras, os pedagogos
e os poetas cantarão os heróis da chacina - para que jamais a guerra cesse de
ser uma permanente.” -
“˗˗ Queres ver ao vivo, Gabriel, o que vai ser a chimpanzeização do mundo?
Corre essa cortina do futuro e espia por um momento a humanidade.” |
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p. 85 |
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O drama da geada -
o major que perde o cafezal para a geada e finda a pintá-lo de verde esmeraldino
das venezianas |
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p. 93 |
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O jardineiro Timóteo (1924) |
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p. 95 |
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“Timóteo compunha os anais vivos da família, anotando nos canteiros, um por
um, todos os fatos dalgumas significações. [...] - tudo memorava ele, com
hieróglifos vegetais, em seu jardim maravilhoso.” |
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p. 103 |
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O fisco (Conto de Natal) (1918) |
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p. 107 |
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“O Brás trabalha de dia e à noite gesta. Aos domingos fandanga ao som do bandolim.” -
“As mulheres do Brás, ricas de ovário, são vigorosíssimas de útero. Desovam
quase filho e meio por ano, sem interrupções, até que se acabe a corda ou
rebente alguma peça essencial da gestatória.” |
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p. 109 |
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“Pedrinho, sem ser consultado nasce. Viram-se
ele e ela. Namoraram-se. Casaram. Casados,
proliferaram. Eram
dois. O amor transformou-os em três. Depois em quatro, em cinco, em seis... Chamava-se
Pedrinho o vilho (sic) mais velho.” |
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p. 115 |
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O colocador de pronomes (1924) -
“Aldrovando Cantagallo veio ao mundo em virtude dum erro de gramática. Durante
sessenta anos de vida terrena pererecou como um peru em cima da gramática. E
morreu, afinal, vítima dum novo erro de gramática.” |
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p. 127 |
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[o que é o 914 da sintaxe?] |
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p. 129 |
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Marabá (1923) -
“Bom tempo houve em que o romance era coisa de aviar com receitas à vista,
qual faz o honesto boticário com os seus xaropes.” -
receitas: Herculano, Walter Scott, Briolanjas, Urracas, Gutierres, Alencar,
Fenimore, Chateaubriand |
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p. 130 |
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“Veio depois Zola com o seu naturalismo, e veio a psicologia e a preocupação
da verdade, tudo por contágio da ciência que Darwin, Spencer e outros
demônios derramaram no espírito humano. Verdade,
Verdade!... Que musa tirânica! Como faz mal aos romancistas - e como os força
a ter talento! Foram-se
as receitas, os figurinos. Cada qual faça como entender, contanto que não
discrepe do veritas super omnia, latim
que em arte significa mentir com verossimilhança.” |
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quarta-feira, setembro 16, 2026
LOBATO, Monteiro; LAJOLO, Marisa (org.). Contos escolhidos. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra; Brasiliense, 1996.
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