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SUASSUNA |
Área: poesia |
Tema(s): níveis do poema |
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SUASSUNA, Ariano. O santo e a porca. Rio de Janeiro: José
Olympio, 2003. |
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- Euricão Engole-Cobra, dona da
porca cheia de dinheiro e devoto de Santo Antônio, vive com medo de ladrões. - Margarida e Dodó; Eudoro e
Benona; Caroba e Pinhão: casais. - Confusão entre arrumar
casamentos; proteger a porca dos ladrões; todos buscando seus interesses em
cooperações forjadas nas circunstâncias. |
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p. 50 |
- traição de Santo Antônio - cemitério lugar seguro - mortos sem sonho e desgraça - mudo dos mortos tranquilo - lugar de tudo perder e nada
achar |
- “Euricão ̶ ̶ Ah, agora estou só. Estará escondido? O
quarto está vazio. E aqui? Ninguém. Agora, nós, Santo Antônio! Isso é coisa
que se faça? Pensei que podia confiar em sua proteção mas ela me traiu! Você,
que dizem ser o santo mais achador! É isso, Santo Antônio é achador e está
ajudando a achar minha porca! Eu devia ter me pegado era com um santo
perdedor! Agora não deixo mais meu aqui de jeito nenhum. O cemitério da igreja! É aqui perto e é lugar seguro,
Entre o túmulo de minha mulher e o muro, há um socavão: é lá que guardarei
meu tesouro. Prefiro a companhia dos mortos à dos vivos, e ali minha porca
ficará em segurança. Com medo dos mortos, os vivos não irão lá e os mortos,
ah, os mortos não desejam mais nada, não têm mais nenhum sonho a realizar,
nenhuma desgraça a remediar. Ao cemitério! Escondo a porca no socavão e à
noite, quando todos estiverem dormindo, cavo a terra e hei de enterrá-la o
mais fundo que puder. E você, Santo Antônio, fique-se aí com sua proteção e
seu poder de encontrar. Lá, meu ouro, meu sangue, estará em segurança: o
mundo dos mortos é mais tranqüilo, e, digam o que disserem os idiotas, lá é o
lugar em que se perde tudo e não se acha nada!” |
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